Fatores de Risco
O vírus do HPV e a ausência do seu tratamento compreende um fator de risco, no entanto, não se trata de uma condição suficiente para o desenvolvimento do carcinoma (IARC, 2020). Existem diversos outros fatores, associados ao estilo de vida, que influenciam a persistência viral e a progressão das lesões (Huang et al., 2025).
Infeções persistentes do HPV
O vírus do HPV, infeta as células da pele e do revestimento do colo do útero. Quando a infeção não desaparece, pode provocar alterações que evoluem lentamente para lesões pré-cancerosas e, com o tempo, para o cancro. Por este motivo, enfatiza-se a necessidade de realizar rastreios para o vírus de forma recorrente (Włoszek, 2025).
Tabagismo
O tabagismo duplica o risco da doença carcinoma cervical. Os químicos presentes no tabaco comprometem a imunidade local e potenciam os efeitos do HPV.
Este efeito está relacionado com as substâncias presentes no tabaco que induzem a danos diretos nas células do colo do útero tornando-as mais propensas a desenvolver doenças oncológicas (Nagelhout, 2021).
Uso prolongado de contraceptivos orais
O uso prolongado de contraceptivos orais pode aumentar o risco de desenvolvimento do carcinoma do colo do útero. A Agência para a investigação sobre o cancro (IARC) tem vindo a reconhecer, o potencial efeito carcinogénico das hormonas presentes na pílula .
Desta forma, salienta-se a importância da vigilância médica regular em mulheres sob o uso prolongado de contraceptivos orais (Bovo et al., 2023)
Início precoce da atividade sexual
O início precoce da atividade sexual e os múltiplos parceiros, compreendem fatores de risco bem estabelecidos para a infeção do vírus HPV. Sauvageau et al., (2021), conclui que mulheres que iniciam a sua atividade sexual em idades precoces apresentam um maior risco de exposição ao vírus papiloma humano (HPV) e de contrair infeções. Desta forma, potenciam o risco de desenvolver lesões cervicais de alto grau (Sauvageau et al., 2021).
Baixa regularidade de rastreios/ Rastreios tardios
O nível de adesão aos programas de rastreios do cancro do colo do útero permanece reduzido. A baixa taxa de participação nesta prática resulta em, atrasos significativos no diagnóstico conduzindo a um aumento de mortalidade associado à doença.
Por esse motivo, é necessário conscientizar e incentivar as mulheres a fazerem o rastreio (Zeuko et al., 2025).
Baixo nível socioeconómico
Diversos países e regiões, não atingem os valores esperados para um melhor controlo e prevenção do cancro do colo do útero. Estas discrepâncias que sucedem de restrições financeiras e organizacionais, refletem a existência de uma aplicação limitada de recursos e materiais de rastreio e vacinação. Estas desigualdades, agravam o quadro de mortalidade do carcinoma em países com níveis socioeconómicos mais baixos (Huang et al., 2025).
Falta de conhecimento
A baixa literacia em saúde sexual e reprodutiva entre mulheres jovens em idade fertil, constitui um fator crítico de vulnerabilidade ao cancro do colo do útero. A literatura consta que 36,2% de mulheres com idades inferior a 20 anos demonstram conhecimento inadequado relativamente à etiologia e prevenção do carcinoma do colo do útero. Não obstante, a falta de informação compromete a adoção de comportamentos preventivos (Zeuko et al., 2025).